Por Luciano Stresser Lobo, gerente de produtos para o mercado de gado leiteiro - Pfizer Saúde Animal
Nem sempre um único antibiótico é apropriado para todas as bactérias causadoras de mastite. A seguir, alguns princípios gerais para serem aplicados em propriedades leiteiras levando em conta considerações farmacológicas da terapia de mastite.
- Os fatores principais que têm mais influenciado o regime de tratamento são a meia-vida do antibiótico (duração de tempo que a droga é ativa) e a concentração mínima inibitória de um princípio ativo (concentração mínima necessária para a droga "matar" a bactéria).
- Especialmente para antibióticos que têm uma meia-vida relativamente curta (< 10-12 horas), é melhor aumentar a frequência do tratamento, diminuindo o intervalo entre as aplicações do que aumentar a concentração da dose.
- Para alcançar um tempo efetivo para matar a bactéria causadora da mastite, o tratamento inicial deve ser mantido sem a troca constante de antibióticos. Exceto nos casos quando o teste de suscetibilidade indicar o contrário.
- Quando antibióticos são administrados, exceto via intravenosa, uma maior dose pode ser indicada pelo veterinário e a meia-vida da droga pode se estender. Isso pode impactar no período de carência do leite/carne e na forma de tratamento.
Estabelecer protocolos de tratamento para atender diferentes tipos de mastite é importante. Enquanto é impraticável a cultura de cada caso de mastite antes do tratamento, a cultura rotineira para monitorar o padrão epidemiológico do rebanho - e alguma alteração no tratamento em curso - ajuda a determinar o antibiótico e o curso de tratamento apropriado para cada caso de mastite.
A seguir estão recomendações para estabelecer protocolos de tratamento para os vários tipos de mastite:
Mastites Severas ou por Coliformes: Mastites clínicas que incluem comprometimento sistêmico da vaca são denominadas severas. Organismos coliformes (bactérias gram-negativas fermentadoras de lactose da família Enterobacteriaceae) são as mais comuns causadoras dessa forma de mastite na maioria dos rebanhos. Além do mais, casos de mastite clínica que resultam na perda de teto ou até na morte da vaca são predominantemente causadas por coliformes. Assim, o tratamento primário da mastite clínica severa deve ser direcionado contra organismos coliformes, apesar de que se deve levar em conta que outros organismos podem estar envolvidos.
O tratamento da mastite clínica severa é uma situação que obriga a tomada de decisão. Nesse tratamento é necessário ao menos aliviar a vaca dos sinais sistêmicos. A primeira preocupação no tratamento é tratar o choque induzido pelas endotoxinas com fluídos e cuidados de suporte, como a aplicação de antiinflamatórios a base de isoflupredona. A terapia com antibióticos pode ter uma importância secundária quando comparada ao tratamento suporte para evitar o choque endotóxico, mas permanece como parte integral do protocolo de tratamento para mastite severa.
Coletivamente, um protocolo de tratamento para mastite clínica severa deve incluir (1) administração de cuidados de suporte, especialmente soros para a vaca que demonstra sinais de choque; (2) terapia antibiótica para manter efetiva concentração da droga no plasma (sangue); (3) selecionar um antibiótico sistêmico com amplo espectro de atividade; e (4) administrar apropriada terapia antibiótica intramamária.
Mastite clínica leve/moderada: o senso comum e o histórico individual do rebanho devem determinar o curso do planejamento terapêutico para casos de mastite leve/moderada. Para ocorrências iniciais de episódios clínicos para qualquer quarto afetado, especialmente aqueles causados por streptococcus, usa-se infusão antibiótica intramamária com espectro de ação para organismos gram-positivos. Se os quartos afetados repetem a mastite com regularidade e na ausência de sinais clínicos, repetidos tratamentos da infecção intramamária não é justificado.
Se o protocolo de tratamento padrão que vem sendo utilizado alcança resultados menores que o desejado, então é melhor estender a terapia por um período mais prolongado (7 a 8 dias) do que mudar por outros antibióticos ou aumentar a quantidade de cada dose.
Mastite Subclínica: esse tipo de mastite, diagnosticada via alta contagem de células somáticas (CCS) não representa um urgente potencial de perda de função de glândula mamária ou risco à vida da vaca. A terapia é administrada sob a premissa que os custos de tratamento pesarão mais do que ganhos compensatórios da produção que seguem após a eliminação da infecção. Em casos de patógenos contagiosos, a eliminação de uma infecção intramamária pode também resultar no decréscimo do reservatório de infecção para vacas não infectadas (sadias ou com baixa CCS).
Mais freqüentemente, os patógenos predominantes causadores de mastite subclínica são streptococcus e staphylococcus.
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Mastites: considerações sobre a escolha de tratamento
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