Dow AgroSciences: Gustavo Silva fala sobre os critérios a serem considerados na escolha de uma forrageira

Confira a entrevista realizada pelo MilkPoint, com Gustavo Silva, da Dow AgroSciences no Brasil, sobre os critérios a serem considerados na escolha de uma forrageira.

Publicado por: MilkPoint

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Figura 1

Confira a entrevista realizada pelo MilkPoint, com Gustavo Silva, da Dow AgroSciences no Brasil, sobre os critérios a serem considerados na escolha de uma forrageira.


Que critérios o produtor deve considerar na escolha de uma forrageira?

R- São vários os critérios importantes na escolha da forrageira. Os principais são: níveis de acidez e fertilidade do solo; precipitação e temperatura média da região; altitude; tipo e capacidade de drenagem do solo, devido à possibilidade de encharcamento; topografia; finalidade da utilização (para pastejo, produção de feno, silagem); tipo de manejo a ser adotado; entre outros.

Uma das características do Convert* HD364 é a alta produção com elevados índices de protéina e digestibilidade. Em números, quanto isso pode representar ao produtor em termos de maior produtividade de leite em relação a uma braquiária comum?

R- A expressão do diferencial produtivo do híbrido HD 364 está diretamente relacionada aos níveis de fertilidade de solo e manejo das pastagens.

Em áreas de fertilidade média a alta submetida à pastejos rotacionados, manejados da forma correta, aliando produção de matéria seca com qualidade de forragem podemos ter um adicional de até 30% de matéria seca produzida quando comparadas com uma cultivar de braquiária Brizantha.

Além do aumento da quantidade produzida, temos uma excelente qualidade de forragem, em grande parte devido às características agronômicas do híbrido. Podemos citar como exemplos disso o excelente perfilhamento na relação folha/haste, contribuindo para uma maior digestibilidade. Este diferencial pode representar um aumento na capacidade de suporte na área de até 0.35 vacas/ha. Considerando uma produção média de 9 kg/vaca/dia e uma lactação de 300 dias teremos um aumento de produtividade no sistema na ordem de 950 lts /ha/ano ou R$ 665.00 /ha/ano (considerando o preço médio de R$ 0,7 litro). É importante lembrar que a quantidade de gordura do leite também pode ser superior em razão da maior eficiência energética do metabolismo ruminal em função da maior digestibilidade da fibra.


As sementes do Convert* HD364 são apresentadas na forma incrustada. Quais são as vantagens desse processo?

R- Realizamos uma série de pesquisas para chegar à conclusão de que a incrustação apresenta inúmeras vantagens, como melhor padronização da semente, proporcionando uma regulagem mais ampla dos equipamentos utilizados no plantio, o que consequentemente assegurará uma melhor distribuição das mesmas. Some-se a isso um tratamento adequado, com fungicidas e inseticidas, e teremos vigor, mantendo a germinação por um período mais elevado. Outra propriedade da incrustação são as substâncias utilizadas na peletização, de origem higroscópica, favorecendo, portanto o fornecimento da umidade adequada à semente no processo de germinação. Isso ajuda a evitar o início do processo de germinação em condições de baixa umidade.

O Convert* HD364 desenvolve-se melhor em que tipo de solo?

R- Solos com média a alta fertilidade são ideais para que o híbrido expresse todo o seu potencial. Um parâmetro quanto as exigências nutricionais podem ser baseadas na recomendação do Boletim 100(IAC) forrageiras do Grupo IImas, que ressalta a importância de uma análise de solo prévia por parte do produtor à época do plantio (início das águas), devido a diversidade de tipos de solos que temos no Brasil. Essa é uma medida que visa, também, repor as demandas de nutrientes para o melhor desenvolvimento do híbrido. Esse conceito se aplica aos atuais capins disponíveis no mercado.

Em relação as pragas e doenças, qual é a resistência do Convert* HD364?

R- A incidência de pragas em pastagem tem avançado rapidamente em todo território nacional. Atualmente, as cigarrinhas (Deois e Notozulia sp.) são as principais, atingindo níveis elevados de infestação nas principais regiões produtoras de pecuária no Brasil.

O Convert* HD364 apresenta tolerância ao ataque dessa praga devido a pequena sobrevivência das ninfas, por meio do efeito de antibiose. A característica de grande pilosidade na inserção da bainha da folha e no caule também confere ao material uma barreira física ao ataque das cigarrinhas.

O tratamento com inseticida e fungicida antes da incrustação da semente também promove vantagens ao pecuarista, dentre elas uma maior proteção a possíveis ataques de fungos presentes no solo na fase inicial da germinação assim como o ataque de cupins.

Observamos que, após a germinação, o material não tem tolerância ao ataque de lagartas, necessitando de produtos específicos para o controle no caso de ataques severos.

O manejo das pastagens deve permitir a otimização da produção forrageira e da eficiência de uso da forragem produzida, visando o desempenho animal e taxa de lotação. Quais são as recomendações para se atingir esse equilibrio?

R- O bom manejo é aquele que mantem a relação de equilíbrio entre a taxa de lotação e a taxa de acúmulo de massa forrageira, ou seja, a oferta de forragem (quantidade e qualidade). Lembrando sempre que a interação entre consumo e qualidade nutricional são os grandes responsáveis pelo desempenho animal. Os melhores resultados no HD 364 podem ser obtidos conforme a tabela abaixo:

Figura 2


Para pastejos contínuos, recomendamos a adoção de uma altura de 30 cm. Lembrando que quanto melhor a reposição dos nutrientes e o manejo das áreas, menores poderão ser os resíduos pós-pastejos.

Da mesma forma, o período de ocupação (PO), é um ponto importante na adoção do pastejo rotacionado, que não deve ser ultrapassar 5 dias.

Para pastejo de gado de leite ele irá variar de 1 a 3 dias devido a alta relação entre qualidade de forragem consumida e a produção de leite/dia. Para o pastejo de vacas de média a alta produção este período não devem exceder 1 dia. Já para o pastejo de gado de corte, deverá variar entre 1 a 5 dias.

Um dos fatores que limita a produção animal é a escassez de forragem durante o período seco. Assim, é importante adotar algumas estratégias de manejo que possibilitam aumento da disponibilidade de forragem durante o período crítico, a fim de permitir que durante a seca se tenha a mesma lotação animal do período chuvoso. Quais estratégias são recomendadas?

R- Sabe-se que o potencial de produção das forrageiras C4 está dividido entre 70 a 80 % no período das águas e 20 a 30% no período de menores precipitações (de maio a setembro).

Algumas técnicas, como adubação nitrogenada logo após o último pastejo do período das águas, assim como o ajuste na carga animal são importantes para minimizar este impacto.

A pastagem com uma condição de menos haste no início da seca manterá melhor padrão nutricional por um período mais prolongado. O Convert* HD 364 tem um ciclo mais tardio de florescimento, o que confere uma melhor qualidade nutricional durante os períodos de estiagem além de ser mais eficiente em absorção de água e nutrientes por causa ao seu grande volume e desenvolvimento radicular.

Outra alternativa bastante interessante é a utilização de ensilagem do material como estratégia de alimentação durante períodos de seca prolongada.

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